Uruaçu-Go, 26 de setembro de 2008
ESCOLAS ABRIGAM 48 MIL CRIANÇAS QUE NÃO SABEM LER NEM ESCREVER. IBGE APONTA 2 MILHÕES NO PAÍS. REPORTAGEM DO POPULAR PUBLICADA EM AGOSTO MOSTROU GRAVIDADE DO PROBLEMA EM GOIÁS. SECRETÁRIA DIZ QUE SOLUÇÃO É ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL.
______________Marília Assunção_______________
Sem saber ler, nem escrever. É assim que 48.120 crianças de 7 a 14 anos de Goiás, matriculadas no ensino fundamental, passam o dia nas escolas. A constatação veio com a Síntese dos Indicadores Sociais 2008, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que descobriu 2,1 milhões de crianças na mesma situação em todo o País. A pesquisa mostra o total de crianças brasileiras de 7 a 14 anos que não sabem ler nem escrever, 87,2% freqüentam as salas de aula.
O levantamento confirma o que O POPULAR mostrou em reportagem publicada no dia 17 de agosto, onde revelou o drama de quem conclui o ensino fundamental praticamente analfabeto. É o caso de Diogo (nome fictício) que, aos 17 anos, está no 9ª ano (8ª série), mas não consegue compreender o que lê e escreve textos inelegíveis.
O IBGE revelou que 97,6% das crianças e adolescente de 7 a 14 anos, matriculados em todo o País, 2,1 milhões simplesmente não sabe ler, nem escrever. Isso corresponde a 7,4% do universo das já alfabetizadas (28,3 milhões entre 7 e 14 anos de idade).
Em Goiás, informa o chefe da Unidade Estadual do IBGE, Daniel Ribeiro de Oliveira, são 8,8% das alfabetizadas. A maioria (25 mil) tem 7 anos de idade, ou seja, tem uma vida escolar recente. Entre 10 e 14 anos de idade, quando as crianças deveriam ter quatro a oito anos de vida escolar, são 10 mil crianças que se sentam todos os dias nos bancos das salas de aula em Goiás, sem terem absorvido os conteúdos mais elementares.
As variáveis que levam uma criança a sair da escola sem saber contas básicas de matemática ou mal escrevendo o nome são sociais, econômicas, culturais e até resultando de política institucional das unidades, lembra a Secretária Estadual de Educação, Milca Severino.
Nas razões culturais está a pouca formação dos próprios pais e a falta de estímulo. Nas sociais, crianças sem motivação ou acompanhamento extra-escola, “até porque hoje as mães são trabalhadoras e com menos tempo”, cita, a Secretária. Além das matriculas com o objetivo de receber os benefícios concedidos pelo governo.
Para Milca, a solução é a escola em tempo integral. “Temos 77 e vamos atingir 100 unidades até o final do ano”. Ela destaca que existem 96 turmas do 6ª ao 9ª ano e 10 turmas do 1ª ao 5ª envolvidas em programas que reclassifica o aluno em uma série especial. “Também existem 38 mil crianças em um programa que corrige distorções de aprendizado”, acrescenta. A Secretaria Municipal de Educação de Goiânia não deu retorno ao pedido de entrevista.
Fonte (O POPULAR)
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